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ZAPPHY - Eu fico impressionado com a sua versatilidade: axé, sertanejo... como surgiu esta idéia, especialmente de tocar com as duplas sertanejas (Fred e Paulinho por exemplo)? Alexandre Peixe – Olha, o axé, a gente sempre bebeu na fonte do trio elétrico onde, não só como folião antes de virar compositor, a gente sempre presenciou e viveu estes encontros, de artistas cantando junto no trio, ritmos diferentes e isso foi nossa escola. Acho que isso a gente traz na nossa carreira, na prática, então, esta coisa de transitar com outros segmentos, como por exemplo, o sertanejo, pra gente é uma coisa muito bacana, pois é uma coisa que surge muito naturalmente, espontaneamente, e no meu caso em especial, eu gravei a quase 3 anos atrás uma música do Edson & Hudson em meu disco e partir dali eu sempre fiquei muito atento a colocar em meu repertório músicas que eu gostava do sertanejo. E sempre que fazia shows em MG, eu sempre ficava atento às duplas que iam surgindo para colocar no repertório, e isso foi aproximando a gente da galera, e aí eu tive convites, a exemplo do Fred & Paulinho, que são amigos da gente, duas figuras queridas, que me convidaram por DVD deles e eu gravei em BH. Depois recebi em Salvador Jorge& Mateus, e eles ficaram dois anos aqui comigo. Nos dois últimos anos eles brincaram e tocaram comigo no meu trio elétrico no carnaval, participaram do meu DVD, e eu também participei do DVD deles em Goiânia, participei do DVD da Maria Cecília & Rodolfo, uma dupla jovem lá de Campo Grande, muito legal, que estão fazendo um grande sucesso também. Fui gravado como compositor por César Menotti & Fabiano e agora por Michel telo, ex-cantor do grupo tradição, e a gente vai sempre fazendo amizade com esta turma e vai rolando estes encontros e trocas de figurinhas mesmo. ZAPPHY - Muita gente comenta e fala que o axé não é música e sim ritmo. Mas existem alguns cantores que tem mostrado que isso não é verdade, inclusive tocando músicas que poderiam ser tocadas em qualquer rádio pop. Como você vê isso e convive com isso? Alexandre Peixe – Realmente o axé é uma música com muito ritmo, mas ela não é só ritmo. Ela é percussiva, por isso dizem que uma música com ritmo, mas claro, tem todo um conceito por trás musical, onde a gente tem influências dos mais diversos segmentos da música. Eu mesmo considero que tenho uma influência pop muito forte no trabalho, tanto é que quando eu gravei um DVD há 3 anos atrás no estúdio, eu fiz releituras de composições minhas com piano de cauda e violões de aço, e como você falou, várias dessas canções poderiam tocar em rádios pop tranquilamente. Isso mostra que, quando você pega a música no violão e canta, ela pode ser, na sua matéria prima superpop e na hora que você coloca uma percussão, arranjando a coisa, ela pode ser carnavalesca da mesma forma. Isso mostra que o axé não é só ritmo, como as pessoas pensam, e o ritmo é um supercomplemento, acho que é a nossa base, mas não é tudo. ZAPPHY - Algumas pessoas falam que o axé perdeu um pouco de sua graça, pois tem “carnaval” o ano inteiro e que os grupos e cantores acabam tocando o que todo mundo toca. O axé, de forma geral, se rendeu ao poder imposto pelas gravadoras? Alexandre Peixe – O axé, de uma forma geral, se rendeu ao poder imposto pelas gravadoras... bom primeiro, eu não acho que o axé perdeu sua graça não, porque se o carnaval existe o ano inteiro, é porque o sucesso do axé não se restringe à semana do carnaval. E o Brasil entendeu que era interessante ter eventos carnavalescos durante o ano e foi criado um calendário, que de início a gente chamou de carnaval fora de época, que as principais capitais do Brasil sempre tiveram e algumas ainda mantêm, outras transformaram isso em festas, outros chamam de micaretas, eventos ligados ao trio elétrico com abadas, multiplicados pelo Brasil, e isso mostra que o axé não perdeu a sua graça. E se a gente toca o que todo mundo toca, é porque o Carnaval, o axé tem uma característica de ser uma música de festa, de alegria. E como a gente faz eventos tocando 4, 5 ou 6 horas até, a gente faz questão de tocar o que a gente gosta, aquilo que a gente sofre influência, o que a gente grava, e a gente acaba tocando o repertório de outros segmentos também. A gente tem esta característica mesmo, e se o axé se rendeu pelo poder imposto pelas gravadoras, eu acho que não, pois o axé te vida própria, porque se dependesse das gravadoras, que estão falidas, o axé também teria caído no buraco. E o axé se organizou, se profissionalizou de tal forma, que ele tem um mercado que vive exatamente destas parcerias, destes carnavais, e de ser uma música que todo o Brasil gosta. Isso trouxe um calendário anual para todos os artistas do axé. E isso faz com que o axé não dependa de investimentos de gravadoras, de estar mas grandes mídias o tempo inteiro, e eu acho que isso inclusive é uma grande conquista para a música baiana, porque conseguiu construir o seu próprio mercado não dependendo de alguém. ZAPPHY - O que vem pela frente, já que o sertanejo também está entrando neste mundo elétrico? Duplas, como por exemplo, Alan & Alex, lançaram um CD onde eles tocam músicas de axé e músicas sertanejas com mais pegada e com mais ritmo. Você não acha que isso acaba com a exclusividade dos artistas de axé? Alexandre Peixe – Acho que só vem a reforçar o sucesso e a força que o Axé tem no Brasil, este ritmo tão contagiante leva até outros segmentos a abraçarem a história do Trio Elétrico a gravarem músicas também no carnaval, e a gente não pode nunca querer exclusividade, porque é muito natural que as pessoas bebam de outras fontes, que gostem e que se influenciem; e essa coisa de que o que vem pela frente a gente está há 25 anos dizendo isso, está sempre tentando alguma coisa, algum artista lançando novidades, outros ritmos vão surgindo e são incorporados e isso que o mantém sempre vivo e sempre novo. ZAPPHY - Nós sempre acompanhamos notícias do mundo da música, a mídia em geral, sempre gosta de noticiar o lado negativo da coisa, como por exemplo, a contínua “briga” entre Ivete e Cláudia Leite. Isso é foco errado da mídia mesmo, ou aquele ar característico da amizade que existia entre as bandas realmente sumiu? O céu esta pequeno para tantas estrelas? Alexandre Peixe – Eu acho que a mídia gosta de rivalizar, de criar blocos, de querer criar atritos entre os artistas e isso é péssimo. A gente que está aqui no meio, estou falando do meio de Carnaval que é onde estou, a gente nunca pode achar que o fã tem que ter um comportamento de torcedor, do tipo quem torce para o galo, não pode torcer para o cruzeiro, com música não é assim; um mesmo pode gostar de inúmeros artistas, o meio é quem gosta de criar essas richas, esses melendres, essas coisas que só vem a depreciar e dar notícias que é o que a mídia gosta né? Não é o que a gente vê na prática, o que existe na prática são artistas que se relacionam com mais intimidade com outros, o que é normal no nosso convívio fora do trabalho, por afinidade ou por oportunidade a gente acaba se aproximando mais de uns o que outros. Acho também que o Axé está hoje numa situação de prestígio, próximo a completar 25 anos por ter muitos artistas fazendo este trabalho, se fosse um só ou uma única banda o Axé não teria uma vida tão longa. Portanto este céu tem que ter coração de mãe e sempre estar incorporando novos trabalhos para deixar o Axé sempre forte. ZAPPHY - O que o Peixe está preparando para 2010??? O que os fãs podem esperar mais pra frente? Alexandre Peixe – Espero em 2010 fazer um novo registro Audiovisual, gravar outro DVD como o que gravamos o ano passado em Salvador, queremos fazer um DVD com outras coisas, trazer novidades. Mas este é um sonho para 2010 sem dúvida. Queremos também continuar fazendo parte destes grandes carnavais que a gente já participa e entrar em alguns carnavais que ainda não fizemos, mas somos loucos para fazer. E o principal estar sempre perto da galera tocando que é o que a gente gosta mesmo. ZAPPHY - Uma mensagem final para os seus fãs e para os leitores da revista ZAPPHY. Alexandre Peixe – Quero agradecer a Zapphy pelo espaço e é sempre bom estar criando este lado de conversar assuntos tão polêmicos, estar aqui soltando o verbo, falando o que a gente acha e o que pensa. Parabéns a vocês também pelas perguntas super bacanas. Quero mandar um abraço todo especial para os leitores da Revista Zapphy e já que está no final do ano, quero desejar um feliz 2010. E para o pessoal que acompanha a gente, nossos fãs, que continuem participando, seguindo, curtindo a gente nos shows, internet, porque realmente não somos nada sem vocês. Obrigado por tudo!
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